Conheça o que 9 religiões falam sobre o momento da morte

Ao redor do mundo, a morte é vista de diferentes maneiras. Para muitos, ela representa apenas uma passagem para um novo estágio. Já outros acreditam que uma nova vida pode começar em outro plano energético.

Desde os tempos antigos, ela despertou curiosidade e medo. Além disso, a visão da morte nas religiões pode oferecer um alento para pessoas que perderam entes queridos. Neste post, veja o que as maiores religiões, algumas culturas e civilizações falam sobre o falecimento. Acompanhe!

A morte nas religiões

A morte pode ser encarada como um grande mistério, algo inaceitável e até mesmo ser tratada como tabu. Aceitando ou não, ela chega para todos em algum momento. Essa é uma realidade inquestionável, e nada é mais natural do que morrer.

O Brasil tem predominância cristã, fazendo com que a morte seja acompanhada de alguns ritos. Por aqui, a dor da perda é tratada em cerimônias que unem amigos e familiares em velórios antes do enterro ou cremação do corpo. As pessoas enviam flores, acendem velas e fazem orações para que a alma encontre a luz. Há, ainda, o cortejo fúnebre, para uma última homenagem a quem se foi.

A seguir, veja a visão de cada religião sobre o tema.

1. Catolicismo

Diferentemente de diversas outras religiões, os católicos acreditam em apenas uma vida terrena. Assim, após a morte, a alma — que é eterna — será julgada por seus atos. Depois do julgamento, ela pode ir para o céu ou para o inferno, onde pagará por todos os seus pecados. Algumas almas ainda conseguem ir para o purgatório, podendo receber uma segunda chance de ir ao paraíso.

Outro ponto fundamental do cristianismo é a crença no juízo final, quando Deus dividirá justos e pecadores pela eternidade. Para receber o perdão eterno, os cristãos devem ter vivido uma vida baseada no amor, na justiça e na solidariedade.

Da mesma maneira, é relevante o modo como ocorreu a passagem. Receber a extrema-unção e os outros sacramentos básicos (batismo e crisma) é considerado fundamental para que o cristão possa ser perdoado e chegar ao paraíso.

2. Protestantismo

Os protestantes têm uma visão parecida com os católicos para o destino da alma. Eles também acreditam que há um julgamento para designação do céu ou do inferno após a morte do corpo terreno.

A diferença é que os rituais terrenos não têm o peso do catolicismo. O que vai ser determinante é a crença e aceitação de Jesus Cristo como único salvador. Por isso, o que tem real poder de mudar o julgamento é a própria fé, independentemente de seus atos terrenos.

3. Espiritismo

Assim como outras religiões, os espíritas acreditam que a morte terrena não representa o fim. O espírito seguiria para um plano espiritual, podendo reencarnar em outra vida posteriormente. O fim do corpo terreno é tratado com o devido respeito, mas crendo em uma continuidade.

O conceito da reencarnação é um dos principais pontos do espiritismo. Isso porque a religião acredita que os espíritos criados por Deus buscam a evolução, que só ocorre com as experiências adquiridas em diversas vidas. Dessa forma, não só carregam o que aprenderam e o bem que fizeram, como também tudo de ruim — o que é conhecido como carma.

Além disso, o espírito, antes de reencarnar, continua em outra dimensão tendo uma vida normal. De acordo com a crença, é possível morrer e encontrar um ente que partiu. Depois disso, podem reencarnar novamente juntos para continuarem a evolução.

4. Budismo

Essa religião acredita na reencarnação, mas de uma maneira um pouco diferente. Segundo ela, os espíritos voltam para ter uma nova vida, subindo ou descendo na escala dos seres vivos. Assim, podem retornar como pessoas (a escala mais alta) ou animais (escalas mais baixas).

No entanto, os espíritos não reencarnam eternamente. Ao passar por todo o ciclo de reencarnação, podem se libertar do carma e atingir o nirvana ou a terra pura, um lugar de paz, tranquilidade e sabedoria.

Isso só é feito depois que a pessoa se livra de apegos materiais, o que pode acontecer ainda em vida. Desse modo, os budistas realizam diversos rituais de libertação e purificação, ressaltando a importância de virtudes como fé, moral e benevolência.

5. Umbanda

Com fortes influências espíritas, a umbanda crê na evolução do espírito após a morte e na passagem por muitas encarnações. Para os umbandistas, o falecimento é uma etapa necessária para a evolução e, por isso, não lamentam o ocorrido da mesma forma que em outras religiões, mas enterram seus mortos em cemitérios com respeito e amor.

No entanto, evoluir envolve sete linhas da vida (e não apenas uma), regida por diferentes orixás. Após a morte, a alma seria atraída para um destino diferente, que levaria a outro estágio de crescimento espiritual.

Ao adquirir muitas experiências ao longo das diferentes passagens, os espíritos mais evoluídos se tornariam guias para os outros, podendo, inclusive, ser contatados no plano terreno.

6. Hinduísmo

Os hindus também acreditam que a reencarnação acontece após a morte. A alma volta à vida várias vezes (ciclo chamado de roda do samsara), até atingir a libertação final (moksha). Depois disso, a pessoa volta para seu verdadeiro lar, um mundo de vida eterna.

A ideia de morte no hinduísmo é semelhante ao budismo, mas com a diferença fundamental de que a reencarnação é tida como algo negativo. Enquanto para os budistas ela é uma chance de evolução espiritual, os hindus querem sair desse ciclo e atingir logo a vida plena. Por isso, realizam diversos rituais ainda em vida e logo depois da morte.

Quando um hindu está perto de morrer, seu corpo é levado para céu aberto e colocado com a cabeça voltada para o Sul. Acredita-se que isso facilita o desprendimento da alma. Com o falecimento, o corpo é lavado com óleos essenciais e ervas aromáticas, passando por uma cerimônia quase festiva.

7. Candomblé

Para os praticantes do candomblé, o espírito possui um destino, que deve ser vivido durante a vida terrena. Com o dever cumprido ao morrer, ele passa a conviver com outros espíritos, orixás e entidades em um plano superior.

Caso o destino não seja cumprido, a alma ficará vagando entre os mortais, podendo influenciá-los negativamente. Mesmo que o candomblé não acredite no conceito de evolução espiritual, a alma pode reencarnar para, finalmente, cumprir seus deveres no plano terreno.

8. Judaísmo

Ao contrário de outras religiões que descrevem com detalhes o pós-morte, os judeus não possuem uma definição muito clara. Acreditam na existência de uma alma imortal e na possibilidade de um céu e um inferno, mas não determinam se existe uma reencarnação ou como ela ocorreria. Por sinal, há grandes divergências dentro do próprio judaísmo em relação a esse ponto.

Devido a todas essas incertezas, os judeus estabeleceram rituais bem complexos para antes e depois do falecimento. A pessoa que está próxima de morrer precisa deixar tudo em ordem e se despedir de todos os familiares. Com a passagem, são feitos diferentes rituais de luto — como o shivá, em que até um mês depois não se pode fazer festas e casamentos e os homens não se barbeiam.

9. Islamismo

Essa religião acredita em apenas uma vida terrena, que serve de preparação para a vida eterna. Portanto, a morte é vista como um momento marcante de passagem, no qual será decidido se a pessoa vai para o inferno ou para o céu — descrito como um paraíso natural, em que as almas são agraciadas com diversos atrativos, como 72 virgens ou 80 mil servos.

Para os muçulmanos, o destino de todos os homens está nas mãos de Alá. Mas aqueles que viveram segundo os ensinamentos do corão (o livro sagrado) não têm o que temer. Após a morte, os justos começam a viver a eternidade, aguardando o dia do julgamento, quando ocorrerá a ressurreição.

A morte dentro das culturas

Africana

Vários países no continente africano têm uma visão muito distinta do modo de pensar no mundo ocidental. Com religiões e cultos integrados à natureza, a morte é um assunto tratado com naturalidade desde a infância.

A crença é de que se trata do encerramento natural de um ciclo que faz parte da natureza. Por isso, encaram como algo que deve ser visto da maneira mais tranquila possível.

Mexicana

morte é vista de uma maneira bem diferente no México. No país, o que chamamos de Dia de Finados é comemorado como o Dia de los Muertos, em uma grande festa. A crença é de que vivos e mortos celebrem juntos o dia, com música, comidas e decoração típica. Esse momento é visto como uma oportunidade de “reencontrar” os que já se foram.

O maior símbolo da celebração é a montagem do altar em três níveis, feito perto da janela para que os mortos possam entrar. Há copos de água para que os espíritos bebam após a longa viagem, flores para guiar os desencarnados, e comidas e bebidas da preferência dos mortos daquela família. Há, ainda, a foto deles para que saibam que são amados.

A morte nas civilizações antigas

Maias

A civilização dominou as Américas do Norte e Central, e acreditava em deuses relacionados com a natureza. Por isso, ofereciam sacrifícios de animais e humanos.

A crença maia dizia que todos vão para uma espécie de inferno. Porém, os imperadores tinham poderes que permitiam ascender aos céus como deuses. Como não havia esperança, a morte era extremamente temida por todos.

Astecas

Os astecas dominaram a região onde hoje é o México entre 1.325 e 1.521. Acreditavam que a morte era apenas um reflexo da vida, e que traria redenção apenas quando ocorrida nas guerras ou rituais de sacrifício. Esses mortos residiriam no céu do sol e reencarnariam como borboletas ou colibris.

Quem morria de causas naturais ia para um local infernal chamado Mictlán. Para que pudessem passar por essa jornada, os corpos eram embalsamados e ficavam junto com seus pertences, armas, comidas e joias. As famílias cultuavam o corpo por 80 dias.

Incas

A civilização existiu na região onde hoje ficam Bolívia, Chile, Equador, Peru e Argentina. Tiveram início em meados do ano 1438 e sobreviveram até 1532, quando mortos pelos espanhóis colonizadores.

Era um povo com crença de que a mumificação era capaz de deter a desintegração da pessoa durante sua passagem após a morte. Para eles, isso garantiria a força para que os mortos fossem mensageiros dos deuses.

Egípcios

Viveram por volta de 3.500 a.C., no nordeste da atual África. A morte era vista como a conquista para um lugar de descanso, após inúmeras provações terrenas.

Para atingir o céu, no entanto, deveriam vencer 12 infernos e serem julgados por Osíris, o Senhor do Submundo. A alma impura seria torturada e devorada por uma besta, enquanto quem fosse inocentado adentraria para a terra da paz.

Acreditavam que o corpo precisava ser conservado até a transição. Por isso desenvolveram técnicas tão bem elaboradas de mumificação. Junto ao corpo, ficavam oferendas aos deuses.

Mesopotâmicos

Essa foi uma civilização que surgiu cerca de 5.000 a.C na região onde existe o Iraque. Acreditavam na vida após a morte e, por isso, deixavam o cadáver com elementos para ajudá-lo no mundo subterrâneo.

Eram politeístas e praticavam rituais de preparação para a passagem da vida para a morte. O rei era considerado um semideus, que se transformava em um deus completo após o seu falecimento.

Viu como a morte é diferente de acordo com crenças, contexto histórico e cultural? Independentemente do que as religiões falam sobre o falecimento e enterro, o mais importante é que todas elas oferecem conforto para as famílias e são formas de se preparar para um momento inevitável para todos. É necessário, também, que o processo de luto seja respeitado — e nisso, as religiões podem ajudar bastante. Com o tempo, a dor dá lugar à saudade, e isso acontece com todos.

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